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CHINA ABRE JANELA DE OPORTUNIDADES PARA O BRASIL

Logo que a China se abriu para o mundo, a partir dos anos 1980, o Brasil demorou a olhar para o grande mercado que estava surgindo - e ainda não dedica a devida atenção ao que ocorre aqui. Foi somente a partir do final dos anos 1990, e de forma incipiente, que empresários do Brasil começaram a se voltar para o gigante asiático - e, segundo especialistas, o cenário mudou muito tardiamente e com pouca ênfase.

Neste ano, surgiu uma nova oportunidade de marcar presença e recuperar o bonde da história. No final de 2017, o governo de Xi Jinping anunciou um movimento pró-importações, de médio e longo prazos (um tempo que o Brasil não está muito acostumado a planejar, mas deveria). A ideia é ter ainda maior penetração e força no comércio mundial. Como? Comprando mais.

Hoje, a China exporta cerca de US$ 2,1 trilhões e importa próximo de US$ 1,6 trilhão, segundo Marcos Jank, presidente da Aliança Agro Ásia-Brasil. O desequilíbrio entre entradas e saídas - motivo, por exemplo, das queixas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos - tende a ser reduzido.

Comprando mais, a China se tornará ainda mais relevante mundialmente. Isso reforça as projeções de que, em 10 anos, o país ultrapassará os Estados Unidos como maior economia do mundo. E uma das portas de entrada para empresas brasileiras que queriam exportar além de soja e minério de ferro para cá se abre em novembro deste ano, com a primeira Feira Internacional de Importações da China, em Shangai. Liu Yutong, diretor do escritório de diplomacia pública do Ministério de Assuntos Exteriores, ressalta que, além de commodities, há espaço para mais algodão e produtos de boa qualidade, como vinhos.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), a China já é o quinto maior importador de espumantes brasileiros. E um dos bons exemplos do potencial desse mercado é a Vinícola Aurora. Segundo Rosana Pasini, gerente de Exportação e Importação, o país teve um impressionante crescimento nas compras do ano passado para cá. Foram 522% de alta entre o primeiro quadrimestre de 2017 e o mesmo período deste ano. De janeiro a abril de 2018, os chineses compraram 78 mil garrafas (especialmente espumantes e cooler), e a perspectiva é encerrar o ano com 300 mil garrafas com a marca Brazilian Soul.

Como a Aurora obteve o crescimento? Investindo em feiras, como a China Food and Drinks Fair em Chengdu (com stand próprio) e na Prowine e Sial, em Shangai. Vale reforçar que, por aqui, o consumo aumenta em níveis elevados, graças a expansão da renda média dos chineses. Em Pequim, por exemplo, o salário-mínimo ultrapassa o do brasileiro. São 2 mil yuans, o equivalente a R$ 1.280,00. E, ao contrário do que se imagina, os chineses não buscam cópias nem produtos baratos. Preferem qualidade a preços baixos.

O salário médio dos trabalhadores da indústria na China, segundo a consultoria Euromonitor, já ultrapassou o de países como o Brasil. Levando em conta os trabalhadores chineses como um todo, a renda por hora é superior a de todos os países da América Latina, com exceção do Chile. De acordo com o estudo, a remuneração média por hora na indústria chinesa triplicou entre 2005 e 2016, para US$ 3,60. No mesmo período, o salário no setor industrial no Brasil caiu de US$ 2,90 para US$ 2,70, segundo dados compilados junto à Organização Internacional do Trabalho. É hora de o Brasil abrir os olhos para a China e para o consumidor chinês. Afinal, são 1,4 bilhão de pessoas, com a renda em crescimento e os índices de pobreza em queda.

As metas do governode Xi Jinpig para 2018

PIB: alta de 6,5% (com a mesma paridade para incremento na renda pessoal)

Novos empregos: meta de criação de 11 milhões de postos de trabalho

Inflação: 3% Taxa de desemprego: abaixo de 4,5%

Redução da pobreza: a meta é retirar 10 milhões de moradores rurais da pobreza, realocando 2,8 milhões que vivem em áreas inóspitas, com desenvolvimento de indústrias locais para geração de empregos.

Fonte: Edição de abril de 2018 do relatório do Conselho Empresarial Brasil-China.

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